Como pode um reeducando, dentro do presídio, tomar a arma do agente penitenciário e disparar contra ele? A lei do mais forte predominou mais uma vez. Mata quem pode, e morre quem parece ter juízo. E esse parece ter sido o caso do reeducando José Guilherme Elias dos Santos. !!! A morte de mais um reeducando dessa vez foi o cume de uma série de acontecimento bizarros do sistema prisional. E a forma como ela foi concluída, parece que a cada dia, a turma de lá está se especializando em não deixar rastros dos fatos que acontecem lá. Mas eis aqui algumas verdades do caso que ainda não foram ditas: O primeiro fato já contraria tudo aquilo que se imagina de seriedade pois prova que o reeducando morreu dentro do presídio. Na manhã de ontem José Guilherme transitava livremente pelo presídio. De acordo com a versão oficial, teve um surto psicótico, tomou a arma de um agente penitenciário e disparou contra ele sem nenhuma explicação. Agentes tentaram o desarmar, e dispararam contra ele. O reeducando ainda respirava e tinha batimentos cardíacos por isso foi removido para a Unidade de emergência, mas morreu no caminho do hospital. José Guilherme acabara de sair de uma consulta com uma psicóloga e estava livre porque administra, com o consentimento da direção, a cantina do presídio. Mas de acordo com a versão de uma testemunha que não quis se identificar a versão não foi bem assim. José Guilherme não estava saindo de uma consulta, segundo, nunca administrou cantina. Terceiro. Estava livre porque gozava de determinados privilégios por ser um alcagüete, e fazia parte de uma lista imensa de reeducandos, segundo eles próprios, que sofrem (ou continuarão sofrendo) humilhações diárias do agente penitenciário Flávio Daniel Azevedo. O agente era (ou é) tido como o terror do presídio e constantemente excede-se nas retaliações a mau comportamento dos reeducandos. Mas as notícias equivocadas da intendência não param por aí. Houve antes, afirmam testemunhas, uma breve, porém dura discussão entre o reeducando e o agente que segundos depois culminaria no ato. Depois de efetuar os disparos, o reeducando já havia soltado a arma e estava com as mãos na cabeça, mesmo assim foi alvejado por uma série de outros agentes. Um revide, uma execução. José Guilherme foi examinado e dado como morto ainda no sistema prisional. Só depois dessa constatação os agentes teriam tido a idéia de levar o “já corpo” para a Unidade de emergência, segundo testemunhas, para evitar a realização de uma perícia no local. Ah, o local foi limpo, as cápsulas recolhidas e entregues a um agente penitenciário para sumirem. A bala que atingiu o agente também foi retirada e segundo fontes da polícia desapareceu. O exame de corpo de delito no agente não foi realizado e talvez nunca saberemos se houve realmente uma luta corporal. A polícia sequer esteve no local, a perícia muito menos. Talvez o fato nunca será investigado. A direção lamenta e afirma que está chocada com o fato, mas não sabe o que pode ter motivado a agressão. E o pior, sugere um surto psicótico minutos depois da vitima ter ido onde??? A uma suposta consulta psicológica. José Guilherme pagará os 5 anos que ainda lhe restavam preso num caixão. |